OS GOLFINHOS

origem_evolucao

Os golfinhos pertencem à Classe Mammalia, Subclasse Theria, Infraclasse Eutheria (placentários), Superorder Cetartiodactyla, que inclui os Arctiodactyla como: bovinos, cervos, camelos e hipopótamos e os Cetáceos. O termo Cetancodonta tem sido usado para agrupar a linhagem evolutiva dos cetáceos e hipopótamos. O termo “cetácea” vem do grego, “ketos”, que significa baleia ou monstro marinho.

Os cetáceos possuem uma única origem, processo conhecido como monofilia. Estudos indicam que os cetáceos modernos evoluíram de animais terrestres, que colonizavam áreas estuarinas cerca de 55 milhões de anos atrás. A transição para a vida aquática parece ter ocorrido na região que hoje corresponde ao Mar Mediterrâneo e o subcontinente Asiático.

A ordem Cetacea inclui três a subordens. Archeoceti é constituída por espécies extintas. A subordem Mysticeti agrupa as baleias verdadeiras, que, em vez de dentes, possuem na boca barbatanas córneas em formato de lâminas flexíveis. E a subordem Odontoceti, que compreende os cetáceos de dentes, como os golfinhos.

A subordem Mysticeti compreende quatro famílias: Balaenopteridae (rorquais, como a baleia-jubarte e a baleia-minke), Balaenidae (baleia-franca e baleia-bowhead), Eschrictiidae (baleia-cinza) e Neobalaenidae (baleia-franca-pigméia).

A subordem Odontoceti é dividida em 10 famílias: Ziphiidae (baleias bicudas), Physeteridae (cachalote), Kogiidae (cachalotes-anões), Platanistidae (golfinhos de rio asiáticos), Pontoporiidae (toninha), Lipotidae (baiji), Iniidae (boto-cor-de-rosa), Delphinidae (golfinhos, orca e baleias-piloto), Phocoenidae (marsopas) e Monodontidae (narval e beluga). Denominamos de golfinhos os membros das famílias Delphinidae, Iniidae e Pontoporiidae.

Os golfinhos são encontrados em todos os ambientes marinhos do mundo, com exceção dos pólos. Existem espécies de golfinhos que vivem em rios, na costa entrando em estuários, em alto mar e em alguns casos possuem ampla distribuição.

No Brasil, os golfinhos mais facilmente encontrados são boto-cor-de-rosa, toninha, tucuxi, boto-cinza, golfinho-nariz-de-garrafa e golfinho-rotador.

anatomia

Os golfinhos evoluíram anatomicamente para a vida no ambiente aquático, principalmente quanto à morfologia externa, adquirindo um formato mais hidrodinâmico e tornando-se os mamíferos mais adaptados à água.

Internamente, os golfinhos possuem uma anatomia muito semelhante à de outros mamíferos, com os mesmos órgãos e funções. As adaptações internas foram mais fisiológicas para o mergulho e a vida em água doce.

respiracao

A respiração dos golfinhos é pulmonar, o que os faz vir à superfície para realizar as trocas gasosas. O orifício respiratório, respiradouro, funciona como uma válvula, que se abre quando o golfinho sobe para respirar e se fecha quando ele vai submergir.

osmorregulacao

Os golfinhos possuem o sangue menos concentrado e a urina muito mais densa que a água do mar, devido à alta eficiência de seus rins. Os cetáceos não bebem água do mar, absorvem a quantidade de água doce necessária com a digestão de suas presas. Outra fonte de água para golfinhos é a água metabólica, obtida do metabolismo das moléculas do alimento, quando átomos de hidrogênio se combinam com átomos de oxigênio para produzir H2O.

visao

Como os humanos, os golfinhos possuem olhos que apresentam cones, bastonetes e células fotorreceptoras da retina.

Os golfinhos distinguem cores, respondem à luz, enxergam fora da água e podem usar a visão para identificar outros membros do grupo, embarcações, predadores e obstáculos.

Uma extensão, como uma cortina, na margem superior da íris, desce sobre a pupila formando duas pequenas pupilas. A pupila dupla proporciona aos golfinhos várias vantagens, como visão binocular em cada olho

ecolocacao

Os golfinhos apresentam um sistema de orientação e localização conhecido como ecolocação. Através dele, sons de alta frequência, inaudíveis ao ouvido humano, são produzidos pela vibração dos dutos de ar e dirigidos para o meio externo através do “melão” (protuberância na parte frontal da cabeça), que atua no direcionamento das ondas sonoras e altera a frequência e o comprimento delas.

Quando os sons atingem um objeto, o eco retorna ao golfinho, que os capta pela mandíbula e pelo ouvido, estes são transmitidos ao cérebro, que os analisa quanto à localização, forma, textura e constituição.

Os golfinhos usam a ecolocação para localizar um objeto, detectar sutis diferenças nos objetos, desorientar cardumes de peixes ou dividir o cardume.

inteligencia

Devido à complexidade de suas estruturas sociais, dos seus sistemas de comunicação e das características morfológicas e fisiológicas de seu cérebro, os golfinhos são considerados animais muito inteligentes.

Proporcionalmente, em relação ao peso e volume do tamanho do animal, o cérebro do golfinho-rotador é o terceiro maior, com cerca de 1,5 kg, sendo que o cérebro humano é o sexto. O córtex associativo do golfinho, a parte do cérebro humano especializada no pensamento abstrato e conceitual, é maior que a do ser humano. O cérebro do golfinho-rotador tem as características atuais há pelo menos 30 milhões de anos.

lado_ludico

A relação dos homens com os golfinhos fez surgir mitos e lendas sobre esses animais. Na maioria das culturas, os golfinhos são considerados como animais sagrados e não perigosos e não usados como alimento.

A história da humanidade está repleta de referências da interação entre homens e golfinhos, da mitologia grega às lendas amazônicas, onde a figura dos golfinhos sempre é ligada à sexualidade, fertilidade e intelectualidade, características atrativas e simpáticas à espécie humana.

estrategia

Uma metáfora criada por Dudley Lynch e Paul Kordis, do Brain Technologies Institute, divide os homens em três classes de animais: carpas, tubarões e golfinhos.

A carpa, quando agredida, não se afasta, não revida e não luta. Conforma-se com seu destino de vítima. Carpas são as pessoas que jogam o perde-ganha, perdem para que o outro possa ganhar. O tubarão crê que faltará e, já que faltará, que falte para outro, não para ele. Os tubarões jogam o ganha-perde, eles têm que ganhar sempre, não se importando que o outro perca.

A estratégia do golfinho consiste em cultivar a confiança em todos os sentidos. Em si mesmo, nos outros e no Universo inteiro. Jogar o jogo do ganha/ganha. Saber fazer mais com menos.  Viver a longo prazo e, ao mesmo tempo, viver atento ao presente, ao curto prazo. De acordo com a metáfora, os golfinhos pensam que: “O Universo é potencialmente um lugar abundante, tem para todo mundo, para eu ganhar, você não precisa perder”.

impactos_ambientais

Devido à abundância de matéria prima que oferecem, baleias foram capturadas durante vários séculos. Espécies como a baleia-azul, fin, sei e cachalote chegaram a reduções populacionais ameaçadoras em meados do século passado. Felizmente, na década de 1970, iniciou-se um movimento mundial de proteção às baleias que culminou com a decretação da moratória mundial de captura de baleias na metade da década seguinte. A captura intencional de golfinhos é reduzida, mas a captura acidental (sem a intenção e sem ter sido possível evitar) e a captura incidental (que poderia ter sido evitada) é uma ameaça à conservação desses animais.

Outro efeito prejudicial da ação humana sobre os cetáceos decorre da poluição dos oceanos por substancias nocivas, tais como agrotóxicos e metais pesados. No Brasil, a contaminação de cetáceos por poluição, notadamente por metais pesados, já foi constatada para várias espécies, como boto-cinza e toninha.  A alta quantidade de lixo no mar, principalmente plástico e resíduos de equipamentos de pesca, tem sido um problema para golfinhos. A semelhança de aparência entre plásticos e lulas ou medusas confundem os golfinhos, podendo levá-los a ingerir estes materiais. Restos de equipamentos de pesca, como linhas e pedaços de redes são frequentemente observados enrolados e cortando lentamente o corpo de cetáceos.

A prospecção de petróleo e gás por meio de sísmica tem trazido graves problemas aos cetáceos, pois os canhões de ar utilizados nesta atividade provocam explosões que afetam o sistema de orientação dos cetáceos, principalmente as bulas timpânicas e o sistema de ecolocação.

Apesar de recente, as atividades de turismo para observar cetáceos também são uma fonte de impacto sobre estes animais. A observação de golfinhos e baleias tem um importante papel educativo e de desenvolvimento do uso não letal dos cetáceos, mas precisa ser realizada sob normas de aproximação aos animais.